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Patologização e medicalização da vida moderna

Tenho a impressão de que alguns especialistas devem ficar sentados em um laboratório observando o movimento e o modo de vida das pessoas. Com base nisto criam síndromes e transtornos.

Cada pequeno desvio, é avaliado atentamente a fim de ser corrigido, de enquadrar o sujeito em um funcionamento padrão esperado e desejado.

Os hábitos, costumes, modismos da nova sociedade (consumista e tecnológica) também vem sendo alvo deste olhar patologizador, que levanta as características existentes e problematiza, agrupa em um transtorno ou síndrome e a mídia se encarrega de disparar um alerta dizendo que existe mais uma doença a ser tratada.

Com isso alguns profissionais da saúde entram em cena, seja para confirmar ou contradizer esta nova “doença”, e cada um vai tratando de forma experimental, alguns utilizando tratamentos farmacológicos, receitando medicamentos para os “movimentos”da sociedade.

Até que ponto isso é saudável e até que ponto é comercial?

Penso que é mais válido buscar apontar a saúde da sociedade do que ressaltar todos os possíveis adoecimentos.

2 Comments

  • Paulo Emanuel Doro Pereira

    Concordo com o que você disse neste item. E não estamos sozinhos. Dentro da própria psiquiatria existem profissionais que já chegaram a esta conclusão, inclusive questionando a falta de pesquisas comprobatórias da origem bioquímica de tais distúrbios. Um dos exemplos mais antigos é o Dr Thomas Szasz, da Universidade de Nova Iorque.
    Por enquanto, estamos como que pregando no deserto, mas um dia alguém vai reconhecer que estamos com a razão.
    Quanto a apontar a saúde da sociedade, acho meio difícil, pois nossa sociedade está cada vez mais doente moral e espiritualmente.

  • Gisele Leite

    É verdade que presenciamos uma extrema patologização e atribuo à isso o fato dos médicos e profissionais da área da saúde não conseguirem exatamente entender e mesmo diagnosticar coisas simples e banais que podem vir a se tornar problemas na vida do paciente…
    Outra coisa também engraçada que além dessa patologização, temos a multiplicação sagrada dos medicamentos cada vez mais poderosos e quase mágicos, a prometer milagres e paraísos instantâneos… Talvez a convivência com a frenética tecnologia faça o homeme pretender tal ritmo bem como não ter a maturidade necessária para vinvenciar certos momentos, crises e etapas de crescimento e envelhecimento…
    Enfim… infelizment compreendo que é mais comercial que real… tantas síndromes, mas sem dúvida, revelam que o mundo está doente por haver tantas relações humanas patológicas… Infelizmente.
    Abs
    Gisele

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