Artigos e Publicações

Descobrindo a homossexualidade na adolescência

Recebi um e-mail que gerou uma troca de ideias bem interessante e por isso decidi compartilhar aqui.

Um adolescente fez contato comigo me perguntando o que eu tinha a dizer sobre meninos que gostavam de meninos. Fiquei um pouco surpresa e um tanto feliz com o questionamento.

Foi difícil encontrar palavras que pudessem espressar minha opnião profissional e também pessoal a respeito, com todo o cuidado que esse jóvem merecia em sua resposta.

E assim saiu a seguinte resposta:

_ Eu não sei o que te dizer sobre meninos que gostam de meninos. Para mim essa é uma questão bem simples. Gostam e ponto.

Mas existem muitos aspectos importantes envolvidos nessa questão, por exemplo, como está sendo para você descobrir isso, como sua familia se comporta diante de homoafetivos (homossexuais), aspectos religiosos, aceitação social, etc.
Ainda pode ser cedo para você definir sua escolha sexual, nessa fase é que se iniciam as descobertas, não tenha pressa, você saberá o momento certo de tocar nesse assunto com sua família.

A psicologia tem muitas vertentes e muitos pensadores então é possível que sejam ditas coisas contraditórias pela mesma psicologia. De maneira geral não vemos a homoafetividade como doença ou distúrbio, não é adquirida nem congenita, é um querer, um desejar, um gostar, que deve ser aceito e respeitado.

Foi questionado também a aceitação da homoafetividade no contexto religioso. De antemão o jóvem já disse saber que em algumas religiões eles são “mais abertos”, mas apresentou interesse particular pela posição da igreja católica.

Não sou nenhuma estudiosa sobre religiões, mas pela relação que estabeleci ao longo do tempo com as diversas religiões citadas por ele, me atrevi a responder de maneira ponderada.

_ Sua observação a respeito da aceitação da homoafetividade nas religiões espíritas está correta. Porém nas outras religiões esse tema ainda é muito polêmico. Na religião católica, de maneira geral, a homoafetividade ainda não é bem vista, contudo alguns padres são mais flexíveis ao tratarem do assunto.

O contato terminou após esta última resposta e com um e-mail de agradecimento, que demonstrou um sentimento de acolhimento e conforto por parte dele. E uma grande satisfação por ter sido escolhida para ouvir uma voz que parecia calada, inquieta, escondida e assustada. Tive a sensação de que ele pode respirar aliviado e seguir o caminho mais em paz consigo mesmo.

E é claro que eu desejo felicidades seja lá qual for caminho que ele descubra.

Existe um grupo destinado para pais de homossexuais, para quem tiver interesse segue o endereço http://www.gph.org.br/quemsomos.asp

Write a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Emoções que aparecem na pele

Você já reparou que as pessoas observam nossa aparência e conseguem perceber sinais que indicam se estamos felizes ou …

Dia da Gratidão – 06 de Janeiro

Gratidão é o sentimento de reconhecimento daquilo que o outro nos oferece. Pode ser um agrado ou um favor que alguém tenha …

A terceira década da vida

Você já percebeu quantas expectativas existem entre os 20 e os 30 anos? Se formar. Trabalhar. Ter independência e liberdade. …