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Porque formar grupos terapêuticos tem sido difícil?

Este trabalho foi apresentado por mim na VIII Mostra Regional de Práticas em Psicologia, no Estado do Rio de Janeiro em 29 de agosto de 2014.

Objetivando trazer a público a dificuldade para formar um grupo terapêutico, composto por clientes que tenham se interessado por esta modalidade e buscado o atendimento espontaneamente.

A grande procurada é a terapia individual. Talvez por ser este o modelo deixado pela psicanálise e pela maior parte das abordagens psicológicas. E que, inclusive hoje, vem sendo difundido pelas diversas mídias. Ou por seguir o modelo médico em que o paciente consulta um especialista sobre seus problemas. Ou ainda por não querer se expor a pessoas desconhecidas, não querer compartilhar suas dificuldades, evitar sofrer julgamento e assumir seus erros. Pode ocorrer ainda a comparação com o modelo de grupo difundido pelo AA e NA, que não são grupos de terapia psicológica, mas grupos que oferecem apoio a pessoas que têm problemas com o abuso de álcool e drogas e assumem sua incapacidade para lidarem com isso sozinhos.

Alguns clientes já relataram terem vivido uma experiência terapêutica em grupo e ter sido desagradável, avaliaram o profissional como inábil e o grupo como ineficaz. Tendo ocorrido desconforto e constrangimento. Esses provavelmente não recorrerão novamente a terapia em grupo, e provavelmente farão uma propaganda negativa deste trabalho. Esperamos contudo que o contrário também seja verdadeiro.

Oferecer terapia em grupo implica diretamente na economia de recursos como energia elétrica, tempo e por isso podemos oferecer o serviço com o valor das sessões reduzido em comparação a outras modalidades. Assim a terapia psicológica pode deixar de ser algo possível apenas para um grupo de pessoas mais abastadas e atender também àqueles que não são beneficiados por planos de saúde, contemplados no serviço público ou que estão aguardando em longas filas nas clínicas-escola.

Percebo que grande parte dos grupos terapêuticos ocorrem dentro de instituições e são formados a partir do oferecimento do serviço e não da busca do cliente.

O grupo antes de ser grupo é apenas a reunião de pessoas desconhecidas entre si, receosas de julgamentos, com expectativas e leituras do outro. Cabe ao terapeuta ter manejo e estruturar atividades que propiciem que as pessoas se conheçam e fazer surgir a liga do grupo e assim a identidade grupal.

O trabalho se desenvolve tendo, tantos quantos forem os membros no grupo, escuta atenta, pessoas que se implicam, que se põem no seu lugar, que te faz pensar sobre possibilidades e pontos de vista diferenciados, que serão espelhos de você mesmo, que refletirão a forma como você estabelece suas relações no mundo. E assim contribuem para o seu autoconhecimento, aperfeiçoamento e para sua habilidade de interação.

O trabalho com grupos terapêuticos é gratificante e apresenta resultados significativos, por isso é possível que com o tempo mais pessoas tenham conhecimento desta modalidade e se interessem por experimentar esse tipo de vivência.

 

 “Se por um lado o grupo é constituído de partes, por sua vez compostas e complexas, por outro lado ele se insere em um meio social mais amplo com o qual mantém relações de mutualidade. A rede de inter-relações em todos os níveis e em contínuo movimento que constitui a “dinâmica grupal”, é passível de descrição e análise em termos destas inter-relações”. TELLEGEN, (1984)

 

Referência Bibliográfica

TELLEGEN, Therese Amelie. Gestalt e grupos: uma perspectiva sistêmica. (p. 52) São Paulo: Summus, 1984.

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