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Um rápido e profundo mergulho na depressão

Esse texto foi escrito por Leandro Augusto . E concordamos que deveria ser publicado.

Com o objetivo de alcançar um maior número de pessoas, que buscam conhecer as vivencias do quadro depressivo.

Bonito, poético e complexo.

Rico em metáforas e bastante direto. 

Esse texto é de alguém que conhece, vive e pensa sobre a depressão.

Antes de escrever essas palavras ainda havia escrito dois esboços na tentativa de transmitir de alguma forma profunda sobre o que há de intrigante e apavorante na depressão. O primeiro era um texto que ia pender para um lado obscuro e desconhecido do universo, num paralelo com os buracos negros. O outro estava mais parecendo um poema infantil. Perceberam? Dois extremos, auto menosprezo, auto crítica excessiva regada a perfeccionismo, dificuldade de concentração e de memória… que levam aos sentimentos mais repulsivos, sombrios e a um vácuo do qual todos nós fugimos. Um paradoxo que gera uma angústia sem fim: o que nos preencheria nos esvazia e do vazio é que nos preenchemos.

Os buracos negros continuam aterrorizantes, assim como a poesia pode ser, assim como a depressão o é. Quem não entraria em algum tipo de colapso por ser sugado por uma massa escura, no meio de um escuro infinito, sozinho? Atire o primeiro “isso é frescura” quem acha que não se desesperaria numa situação dessas. Toda fé, todo amor, tudo o que há de bom some. Para alguns só resta desistir e se deixar levar (que não seja o caso), outros ainda possuem um resquício mínimo, uma fagulha de esperança de que alguém vá jogar algum rastro de luz e sinalizar que ainda há saída, ainda há vida.

Como diversas patologias, “o último suspiro de socorro”, “aquele que não pode ser dito” (atualmente ainda continua sendo tabu), passa meio despercebido na multidão, disfarçado, como quem não quer nada, aproveitando-se das muitas máscaras que usa e, de repente, percebe-se que tomou conta, de que está em você, não tem jeito…
– “O que fazer? Quero fugir…sumir!!! Fugir de que? Sumir pra onde? Não tenho forças…cadê minhas forças?? Minhas?? Cadê tudo? Cadê todo mundo? Cadê eu???”
(surto em milésimos de segundo)

Chegou-se ao ponto. Parabéns! Eis aí você! Tudo o que você é e, simultaneamente, tudo o que não é. Um próximo ponto de partida. A necessidade daquela ajudinha que tanto relutou ou admitiu precisar. Pequeno grande impulso que, no primeiro em que sentir as pernas, elas vão tremer, vão bambear, seu tórax se preencherá de uma força gostosa que se espalha por todo o corpo (sim, você é um corpo apesar de ter estado anestesiado). Nesse momento o sorriso não se contém, os braços só querem abraçar, a boca só quer agradecer, tamanho foi e continua sendo o despejo de confiança, honestidade, cumplicidade, reciprocidade…amor, enfim. Um processo longo, demorado, em que lhe é mostrado os mais diversos ambientes, os mais diversos seres que habitam a alma.

A maior dificuldade é descrever o que há de nobre numa caminhada em que só agora se começa a ter um vislumbre de um campo fértil à frente. Mais um mundo desconhecido e cheio de nuances, cores, luzes a serem vistas. Lembrete: onde há luz, há sombra, mas para haver sombra é necessário algum objeto. Que tal uma árvore robusta, cheia de folhas e frutos? Ou um teatro de sombras?

No fim das contas a gente acaba falando de tudo. De buracos negros, poesias, do vento que passou pelo seu rosto e você não deu a mínima atenção, assim como muitas pessoas que precisam de um cuidado, de um afeto. Coisa de louco? Não sei. Agora muito do que se passa se mostra mais claro. Tudo conectado. São detalhes que a vida carrega e a depressão não é uma exceção. Por que seria?

 

1 Comment

  • Leandro

    Gostei do texto. Acho que a pessoa poderia investir.

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