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Relação é a intersecção entre duas pessoas

Relação interpessoal é algo que parece tão natural e espontâneo, mas pensando sobre isso, percebemos o quanto é complexo.
Para começar vamos pensar a nível do indivíduo. Sim, vamos partir do princípio e pensar no Um. Cada pessoa possui sua individualidade. A individualidade de alguém é um universo de coisas. A individualidade compreende suas relações familiares, de amizade, suas redes sociais, todos os acontecimentos da sua vida, suas preferencias, seu modo de pensar, seus sentimentos, sua profissão, seus estudos, resumindo, toda a sua vida!

Quando encontramos alguém com quem desejamos nos relacionar estabelecemos uma intersecção entre duas individualidades distintas.

O modelo que representarei se trata de algo ideal e equilibrado. Porém muitas dificuldades podem surgir na construção e na manutenção desta intersecção.interseccaoExplicando o esquema: cada círculo preenchido representa um indivíduo. Cada círculo ao redor deste indivíduo representa sua individualidade. E a forma do meio representa o relacionamento construído entre essas duas pessoas. Compreendendo parte de cada uma dessas pessoas e também parte do universo que é sua individualidade.

Tendo isso como base, podemos continuar desenvolvendo o raciocínio.

Logo de começo, algo que parece bastante difícil, é compreender que o outro vai além daquilo que você conhece, vai além de ser a pessoa com quem você se relaciona. Então, respeitar a existência do outro para além do seu alcance, pode ser algo muito difícil.

Encontramos aqui um grande número de pessoas ciumentas, que tentam saber tudo o que está acontecendo no universo da outra pessoa, com quem fala, sobre o que conversa, onde está, o que faz. As pessoas controladoras desenvolvem habilidades para investigar a vida alheia e fazer interrogatórios. As coisas podem se complicar, primeiro porque estar havendo invasão da privacidade do outro. O sentimento de posse e uma certa obsessão podem estar presentes. Acusações são frequentes. A pessoa passa a precisar provar que é inocente. Ambos sofrem. A pessoa que não soube respeitar o direito à liberdade do outro, deixou de lado o seu próprio universo, à medida que seu investimento está totalmente direcionado para a parte que está fora de seu alcance. E a própria relação fica desgastada, desinvestida. Perde o interesse para ambos.

Com menor frequência que os ciumentos, mas não raro, existem os egocêntricos. Pessoas que vivem tão intensamente em seu universo que investem pouco na relação, não demonstram interesse pelo universo do outro. A relação acaba também ficando esvaziada, havendo pouca troca na intersecção. O egocêntrico pode acreditar que o relacionamento está ótimo, porém o outro pode se sentir sozinho na relação, desinteressante, desvalorizado.

Há ainda aqueles que abdicam de sua individualidade para se dedicar integralmente ao relacionamento, acreditando ser esse o caminho para a felicidade. Talvez esse caminho seja o mais próximo do amor romântico. Contudo, a pessoa que abre mão de seu universo individual, terá pouca coisa a agregar ao relacionamento, nada de novo será inserido para fazer a relação crescer e se aperfeiçoar. Por outro lado, se o relacionamento chega ao fim, a pessoa terá perdido absolutamente tudo naquilo em que ela investiu. Seu universo não existirá mais. E é aqui que encontramos as pessoas deprimidas, as tentativas de suicídio, o fundo do poço. A pessoa perde inclusive o apoio daqueles que poderiam ajudá-la a se reerguer. Não porque eles não possam ajudar, mas porque a pessoa que ama desta maneira não enxerga nada além da pessoa amada. Os outros perderam valor.

O IDEAL seria o equilíbrio. Investir suficientemente na relação, assim como ter interesse pelo universo do outro, porém respeitando o limite daquilo que o outro deseja compartilhar. E também mantendo em funcionamento todo o seu universo para além desta relação.

Chegamos até aqui!

Agora vamos falar de relacionamento.

Acredito que a palavra confiança não se adéqua a esse contexto. O confiar em alguém pressupõe que você acredita que essa pessoa não o desapontará. Sem dúvida o confiar traz certa tranquilidade, uma sensação de estabilidade, de permanência. Porém não há garantia alguma de que o outro não o fará. Simplesmente pelo fato de todos serem livres e responsáveis por suas escolhas. A conduta do outro depende única e exclusivamente da vontade dele. Então se não é a confiança que manterá a relação, o que pode preencher essa angústia de incertezas a respeito da conduta do outro?

A certeza nunca será plena para ninguém. Não há garantias. Podemos responder apenas pelos nossos atos. É nele que devemos manter a certeza de nosso caráter, de nossa conduta, honestidade e do quanto estamos investindo.

O companheirismo, a parceria, a cumplicidade e o respeito são os valores de base para uma relação que busca seu equilíbrio. É o comprometimento de cada um que garantirá a continuidade e a satisfação.

A aceitação de algumas verdades me parece a parte mais difícil.

Você estará lidando apenas com a PARTE da pessoa que ela escolhe compartilhar com você.

Existirão coisas que o outro deixará fora do seu alcance, propositalmente.

Se o outro tiver vontade de mentir, ele o fará.

Se o outro tiver vontade de trair, ele o fará.

Mas não somos vítimas do outro. Também somos o outro. E quando disse que, ‘podemos responder apenas pelos nossos atos’, essa pode ser uma maneira de nos confortarmos diante das incertezas.

Pois se tenho a oportunidade de mentir e não o faço, se tenho a possibilidade de trair e não o faço. Isso demonstra que ter minha liberdade e minha individualidade respeitada, não fará de mim uma pessoa inconsequente, que não tenha comprometimento e respeito pela pessoa com quem me relaciono. E se eu não cometo esses atos, mesmo tendo toda a liberdade para isso, o outro pode também agir da mesma maneira.

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